Olhando assim, iluminada só pela luz da manhã que vai nascendo, finalmente com o peito sereno e o cabelo na testa colado de suor. Tão bonita. Até engana...
Um olhar tão doce, uma conversa tão culta. Política, economia, manifestos, Chico Buarque, Vinicius...
Em segundos se transforma. Felina, rápida, ágil. Mas que mulher fatal essa na minha cama!
Tem sede de vida, sede de sexo, sedenta, transbordando a cada segundo.
Os cabelos, longos na medida certa, davam uma volta perfeita na minha mão áspera e a cada beijo na nuca era um gemido, aumentando a aura de desejo quarto adentro.
A cintura, fina e perfeita para o encaixe. Que cobra essa criatura feminina. Esguia, deslisava por baixo das minhas mãos, do meu desejo, da minha barba.
A barba! Assim que acordar eu sei que vai me xingar ao se olhar no espelho. Vai abrir bem os olhos e vai dizer: meu queixo tá ralado de novo! Não dá pra você fazer essa maldita barba?
E eu sei, e ela sabe, que ela não quer que eu faça. Porque o roçar da barba pelas costas nuas, pelo meio das coxas a enlouquece, e o queixo vermelho e arranhado ela exibe com orgulho.
Ela se mexe, vira de lado, deixando o mais lindo par pronto para os meus olhos. Posso apostar que ainda estão inchados, sensíveis. Preciso tocá-la, mais uma vez...
Sento, com calma, no canto da cama. Não quero que acorde, não agora.
Sigo com os olhos o contorno daquele corpo macio. A cintura, as coxas, a 'bunda redonda de brasileira' (diz ela), aqueles lindos furinhos no final das costas, onde meu polegar cabe perfeitamente - e onde ficou durante muito tempo, sentindo a força e a urgência daqueles quadris na horizontal.
Eu a toco e automaticamente o corpo todo está em um arrepio só. Os seios, novamente prontos, rijos. Se eu os tocar só de leve...
Ela estica as pernas e se vira. Vê-la assim, como ficou tantas vezes com as mãos presas pela minha acima da sua cabeça, imóvel, vulnerável. Em um segundo eu posso montar nela de novo e beijar a boca, o pescoço, o peito, enquanto ela fica batendo as pernas, em desespero, querendo - e não querendo - que eu a solte. Nos pulsos, ainda as marcas avermelhadas do meu grosso modo de segura-la. Pele de seda essa moça. Linda cheia de marcas pelo corpo todo. Marcas da melhor luta que tive em toda minha vida.
Ela sorri, ainda de olhos fechados. Eu já sei o que ela quer. Me quer de novo dentro dela. E eu a quero, desesperadamente.
E antes que eu me mexa, ela pula no meu pescoço e me engole, com língua e saliva, com desespero e calor. Em segundos ela já está no meu colo e as unhas bem fundo na minha carne. Lá vai essa leoa me devorar outra vez.
Facilmente eu diria que a amo. Não digo que caso, digo que amo. Amo esse jeito louco dela. Esse 8 e 80, como se todo o segredo, toda a fome fosse mostrada só pra mim. Como se eu fosse o único homem do mundo que a faz feliz, que a faz revirar os olhos depois se aninhar no meu peito feito uma gata. Uma gata que, enquanto durar, será minha.
(porque um texto em voz masculina escrito por mulher é o mesmo que dizer: eu quero assim, eu gosto assim. E por que não indagar: me vê assim?)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Manifesto-me
Sem cartazes, sem tinta no rosto. Sem vergonha
Lutando pelo direito de levar alguém pra minha cama no primeiro encontro e ainda assim ser 'merecedora' de um pedido de namoro.
Pelo direito de te engolir porque eu quero, e não porque minha cabeça é empurrada, feito um boneco condicionado.
Por xingar, bater, morder, gemer no melhor estilo das tuas mais escondidas fantasias e, ainda assim, lábios e olhos doces (porque na tua cabeça santa e puta não podem coexistir no mesmo corpo)
Quero protestar com o corpo nu, coberto só de vontades que eu trouxe pra cama junto contigo.
Com palavras de ordem, e que o prazer seja a reivindicação dos protestantes do quarto. E se não houver palavras, que os meus gemidos te digam tudo.
E mais ainda: que aprendas, de uma vez por todas, que eu sou assim. Vou discutir sobre os problemas do mundo, sobre a fome, as guerras, a Tunísia, a lua, o Papa, e, ao chegar em casa, eu também vou gemer no teu ouvido e te pedir obscenidades, cravar as unhas nos teus braços e implorar que me deixes rouca.
Quero levantar a bandeira que a vida hoje é assim: homens e mulheres acontecendo a cada instante, intensos e transbordantes corpos carregando a vida e suas manifestações de vontades da raça humana, que não se anulam por carregar médico e monstro, súdito e rei, santa e puta.
Não preciso de cartazes para dizer como a vida roda hoje em dia. Preciso só que abram as mentes.
E que a batida de corpos seja feito uma multidão frenética, marchando descompassada rumo à liberdade. Feito nós dois.
---
inspirado em:
"E até lá, hei de libertar algum príncipe preso na torre de um castelo e convencê-lo de que um bom boquete não é sinal de mau caráter. De que uma saia três palmos acima do joelho não é chave de cadeia. De que uma mulher liberal também tem coração transbordante e uma voz apaixonada que pode lhe cantar ao pé do ouvido aquela canção do Clube da Esquina. De que fidelidade é absolutamente compatível com safadeza, sim, senhor. Enfim, de que eu posso estar nua, mas coberta de razão, assim como Leila Diniz quando afirmou: “eu posso dar para todo mundo, mas não dou pra qualquer um”. E se você é feliz por ser moralista, meu benzinho, hoje eu sou feliz por ser aquilo que vocês insistem em chamar de vadia."
(à tudo que aconteceu no país nas últimas semanas: ir a rua é lindo, é emocionante. Mas só tenha certeza que por dentro você acredita, que você está livre das amarras e consciente, senão nada adianta. São lutas que devem ser travadas de dentro pra fora)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Termômetro e tatuagens
"Vem, eu não mordo"
Mentira. Eu mordo sim. E muito. E sem permissão. Marco-te porque é assim que eu te mostro que estou ali, inteira, atenta e completa dentro dos teus olhos.
Aperto tua pele porque é ali que eu te mostro que sinto tudo dentro de mim, na frequência arrítmica dos nossos desejos pulsantes.
Faço dos nossos gemidos uma peça mundial e atemporal, compreendida em qualquer lugar, por qualquer um, a qualquer tempo, sem vergonha ou pudores.
E que cada marca seja uma lembrança nova, uma descoberta do que não deu pra gravar na memória durante o transe de corpos e suor.
Que, quando a água arder tuas costas durante o banho, lembres do meu abraço querendo te engolir.
Que a discreta marca no teu braço te faça sorrir ao lembrar do meu prazer em te morder com olhos doces.
Que, do nada, tua barriga seja repuxada por dentes invisíveis e meu rosto surja na tua mente.
E que, lá na frente, seja meu nome aquele que quase sai dos lábios teus durante teu tórrido e banal amor de quinta feira a noite com outros lábios calados.
Do mesmo jeito que a cada passo que eu dou, fica impossível não lembrar de ti, dos apertões no meio da selvageria louca no colchão no chão.
Me liga. Mordo-te de novo
sexta-feira, 14 de junho de 2013
...ou te devoro!
Antes de tudo, antes de me colocar na cama e me deixar nua de roupa e de vergonhas, use teus olhos.
Antes da tua boca me sugar por inteira, antes da tua língua queimar minha pele, engula-me com os olhos.
Antes de me apertar as coxas, antes de passar tua mão pela minha barriga, acaricia-me com os olhos.
Assim, no silêncio das promessas, das expectativas assim que subirmos as escadas, coma-me com os olhos.
Por inteiro, de dentro pra fora. Engula meus sonhos, minhas palavras não ditas, meus gestos insinuados .
Devora-me com os olhos, o corpo inteiro, a alma inquieta.
São nos teus olhos que eu vou encontrar a coragem para fazer tudo que o meu corpo deseja. Neles que eu vou encontrar sua fome, seu desejo rijo e encantador.
É comendo com os olhos que vou deitar embaixo do teu corpo feito uma gata manhosa e ser tua para o que der e vier.
São nos teus olhos que mato minha sede, alimento minhas fantasias e imagino mil e uma aventuras para fazer contigo.
São teus olhos que recarregam minhas baterias e me queimam doce e lentamente, mais que suas mãos ágeis.
Tua boca, impiedosa e cruel, não é páreo quando resolve me devorar com os olhos. É algo que eu não consigo evitar, não tenho coragem nem vontade de desviar meus olhos do teu castanho profundo.
Intenso, arrebatador, cruel e excitante esse par de olhos! É morrer e renascer com a vontade que vem de dentro do teu olhar. É ver ali a fome do mundo e me saciar sem tocar. Sentir-me pronta para te alimentar de amor, sexo e confissões.
Decifra-me! Ou então...só me devora
domingo, 26 de maio de 2013
Bésame mucho
Teu beijo
Sabe aquele com a boca inteira, com lábios, língua, vontade, pressão, desejo, urgência.
Aquele beijo
Casto, doce, demorado, suave, quente.
Só um beijo
Que dure um segundo, uma eternidade, nossa vida, pra sempre, infinito.
Teu beijo, meu bem, não me deixa livre. Apaga da minha mente tudo que existe aqui e agora. Apaga meus medos, meus planos, minha preocupação com a janela que eu deixei aberta. Teu beijo acende em mim todo o desejo que eu não sabia que existia, dispara meu peito, aquece minha boca, deixa-me molhada, à espera, quente, agitada, desperta.
O mais doce toque dos lábios em segundos já me transforma. As mãos, que repousavam serenas em teus braços, precisam te envolver, desejam mais, desejam-te inteiro. Os olhos, que estavam fechados, em paz, agora se abrem tomados pelo susto da química do teu beijo. As pupilas dilatam, querem gravar toda a cena do nosso trailer erótico.
O nosso beijo é uma dança de corpo inteiro, de todos os sentidos trabalhando juntos e alimentando um ao outro. Nosso beijo é encontro de corpos, sensíveis, sexuais, sensuais. É o ardente jogo de sedução, uma busca animal pelo acasalamento. É sexo com sexo, pulsando, desejando invadir e ser invadido, preencher.
São braços apressados que exploram terreno, procuram pontos sensíveis, prontos para o prazer carnal que se instala ao toque dos lábios. Porque, diferente de todos os beijos que eu já tive, todos os corpos que eu encontrei, nosso beijo é o próprio sexo. Em língua e saliva. De corpo inteiro.
O nosso sexo em forma de beijo é assim, basta que nossos lábios se encontrem que eu já estou entregue, mesmo que eu não queira, mesmo que eu prometa que será só um beijo. Nunca é, não consigo. É impossível. Não sabemos acontecer de outra maneira.
Parece magnetismo com uma eletricidade louca. Não sei dizer como acontece, só sei dizer que acontece. E que é contigo, mais ninguém. Se houvessem mais beijos feito os nossos, haveria menos brigas, menos mau humor, menos mimimi. Porque um beijo dessa intensidade desarma todas as defesas, reconcilia, reata corações partidos e mentes teimosas. Quisera todos os beijos fossem assim.
A intensidade com que meu corpo responde ao nosso enlace me espanta e me dá vontade de beijar teu corpo inteiro. In-tei-ro. Mas sei que até lá, tudo já será intenso, forte, quente, úmido.
Muito antes do teu peito nu encostar no meu, eu já terei ficado de pernas bambas, moles, e com as mãos enterradas na tua carne. Já terei suspirado milhares de vezes e o mundo já teria se apagado outras milhares mais.
E assim, beijando-nos em silêncio e vestidos, vamos fazendo sexo em todos os lugares. Na porta de casa, no meio da rua, no encontro, na despedida, para animar, para acalentar, no escuro, no meio da multidão. E a multidão segue sem saber tudo que se passa no nosso corpo desencadeado por um simples toque de lábios. Ah, se nossas roupas falassem...
Sabe aquele com a boca inteira, com lábios, língua, vontade, pressão, desejo, urgência.
Aquele beijo
Casto, doce, demorado, suave, quente.
Só um beijo
Que dure um segundo, uma eternidade, nossa vida, pra sempre, infinito.
Teu beijo, meu bem, não me deixa livre. Apaga da minha mente tudo que existe aqui e agora. Apaga meus medos, meus planos, minha preocupação com a janela que eu deixei aberta. Teu beijo acende em mim todo o desejo que eu não sabia que existia, dispara meu peito, aquece minha boca, deixa-me molhada, à espera, quente, agitada, desperta.
O mais doce toque dos lábios em segundos já me transforma. As mãos, que repousavam serenas em teus braços, precisam te envolver, desejam mais, desejam-te inteiro. Os olhos, que estavam fechados, em paz, agora se abrem tomados pelo susto da química do teu beijo. As pupilas dilatam, querem gravar toda a cena do nosso trailer erótico.
O nosso beijo é uma dança de corpo inteiro, de todos os sentidos trabalhando juntos e alimentando um ao outro. Nosso beijo é encontro de corpos, sensíveis, sexuais, sensuais. É o ardente jogo de sedução, uma busca animal pelo acasalamento. É sexo com sexo, pulsando, desejando invadir e ser invadido, preencher.
São braços apressados que exploram terreno, procuram pontos sensíveis, prontos para o prazer carnal que se instala ao toque dos lábios. Porque, diferente de todos os beijos que eu já tive, todos os corpos que eu encontrei, nosso beijo é o próprio sexo. Em língua e saliva. De corpo inteiro.
O nosso sexo em forma de beijo é assim, basta que nossos lábios se encontrem que eu já estou entregue, mesmo que eu não queira, mesmo que eu prometa que será só um beijo. Nunca é, não consigo. É impossível. Não sabemos acontecer de outra maneira.
Parece magnetismo com uma eletricidade louca. Não sei dizer como acontece, só sei dizer que acontece. E que é contigo, mais ninguém. Se houvessem mais beijos feito os nossos, haveria menos brigas, menos mau humor, menos mimimi. Porque um beijo dessa intensidade desarma todas as defesas, reconcilia, reata corações partidos e mentes teimosas. Quisera todos os beijos fossem assim.
A intensidade com que meu corpo responde ao nosso enlace me espanta e me dá vontade de beijar teu corpo inteiro. In-tei-ro. Mas sei que até lá, tudo já será intenso, forte, quente, úmido.
Muito antes do teu peito nu encostar no meu, eu já terei ficado de pernas bambas, moles, e com as mãos enterradas na tua carne. Já terei suspirado milhares de vezes e o mundo já teria se apagado outras milhares mais.
E assim, beijando-nos em silêncio e vestidos, vamos fazendo sexo em todos os lugares. Na porta de casa, no meio da rua, no encontro, na despedida, para animar, para acalentar, no escuro, no meio da multidão. E a multidão segue sem saber tudo que se passa no nosso corpo desencadeado por um simples toque de lábios. Ah, se nossas roupas falassem...
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Cozinha-me, cozinho-te
Assim, com cheiro de detergente e migalhas espalhadas. Assim sutil meu corpo acorda e quer tirar você dali o mais rápido possível.
Viu só, é uma vantagem a minha cozinha ser tão estreita, sou obrigada tocar seu corpo de vez em quando, lhe empurrar pra conseguir chegar do outro lado.
É claro que eu não podia deixar a louça acumulando (dizem que a casa não anda), mas também não podia lavar a louça e guardar a mesa. Amarrei em você meu avental, aquele de florzinhas, só porque seu olhar irritado faz de tudo bem mais divertido. Ali, molhado até os cotovelos - completo desastre - com os braços esticados dando-me completa visão dos seus músculos.
Não posso me distrair, tenho compromisso logo mais. Recolho a toalha da mesa e peço licença, preciso chegar até o lixeiro. Você não me ouve - ou faz de conta que não ouve - e não me dá espaço. Viro de costas e empurro seu quadril contra a pia, abrindo passagem pra mim. Não vi, mas tenho certeza que saiu um sorriso, daqueles de canto de boca franzindo um pouco os olhos, o mesmo sorriso que você provoca em mim.
Falamos sobre um assunto qualquer, não sei dizer o que foi, não conseguia pensar em outra coisa a não ser que precisava manter meu foco, não pensar em como é bom o nosso aconchego no colchão. Você estica os braços e a água escorre em direção ao ombro. Eu seco, demoradamente e com mais força do que precisaria. Você me olha nos olhos, agradece e volta a enxaguar os copos. Meu coração dispara e sinto tudo por dentro dando um nó. Não vai dar pra aguentar.
Peço licença, preciso limpar o fogão. Você não se mexe um milímetro. Novamente encosto minha bunda na sua e te empurro. Você não cede, faz força contra o meu corpo. Estamos na mesma sintonia.
Preciso caminhar na ponta dos pés e apertada entre você e a bancada. Ouço uma risada, um sopro de ar. Rio também.
Você termina, seca as mãos na minha coxa, logo minha parte mais sensível. Xingo, acho graça e você me olha como se a minha calça fosse o pano de louça favorito. Reclamo que a pia mais parece o Itajaí-Açu depois de enchente. Peço espaço novamente e dessa vez você cede. Com os braços pra cima, dá um passo pra trás. Pego o pano e limpo a bagunça que você deixou, com o coração na boca, batendo a mil por hora.
Recebo um beijo na nuca e seu braço me envolve a cintura de um jeito forte e delicado. "Chega moça, já sei que você é prendada. Vamos pra cama"
Não tenho nem espaço pra murmurar seu nome e implorar que me deixe terminar e ir embora. Sua boca me envolve e me suga as palavras que não disse e a minha agenda de compromissos pra hoje a tarde. No seu colo vamos caminhando até o quarto, enquanto o avental de florzinha vai ficando pra trás.
Sua mão ainda cheira a detergente e seus dedos já estão murchos. Eu já estou completamente atrasada. Não faz a menor diferença. Para terminar assim, cozinho todos os dias, toda hora, até você enjoar do meu tempero, de mim.
Viu só, é uma vantagem a minha cozinha ser tão estreita, sou obrigada tocar seu corpo de vez em quando, lhe empurrar pra conseguir chegar do outro lado.
É claro que eu não podia deixar a louça acumulando (dizem que a casa não anda), mas também não podia lavar a louça e guardar a mesa. Amarrei em você meu avental, aquele de florzinhas, só porque seu olhar irritado faz de tudo bem mais divertido. Ali, molhado até os cotovelos - completo desastre - com os braços esticados dando-me completa visão dos seus músculos.
Não posso me distrair, tenho compromisso logo mais. Recolho a toalha da mesa e peço licença, preciso chegar até o lixeiro. Você não me ouve - ou faz de conta que não ouve - e não me dá espaço. Viro de costas e empurro seu quadril contra a pia, abrindo passagem pra mim. Não vi, mas tenho certeza que saiu um sorriso, daqueles de canto de boca franzindo um pouco os olhos, o mesmo sorriso que você provoca em mim.
Falamos sobre um assunto qualquer, não sei dizer o que foi, não conseguia pensar em outra coisa a não ser que precisava manter meu foco, não pensar em como é bom o nosso aconchego no colchão. Você estica os braços e a água escorre em direção ao ombro. Eu seco, demoradamente e com mais força do que precisaria. Você me olha nos olhos, agradece e volta a enxaguar os copos. Meu coração dispara e sinto tudo por dentro dando um nó. Não vai dar pra aguentar.
Peço licença, preciso limpar o fogão. Você não se mexe um milímetro. Novamente encosto minha bunda na sua e te empurro. Você não cede, faz força contra o meu corpo. Estamos na mesma sintonia.
Preciso caminhar na ponta dos pés e apertada entre você e a bancada. Ouço uma risada, um sopro de ar. Rio também.
Você termina, seca as mãos na minha coxa, logo minha parte mais sensível. Xingo, acho graça e você me olha como se a minha calça fosse o pano de louça favorito. Reclamo que a pia mais parece o Itajaí-Açu depois de enchente. Peço espaço novamente e dessa vez você cede. Com os braços pra cima, dá um passo pra trás. Pego o pano e limpo a bagunça que você deixou, com o coração na boca, batendo a mil por hora.
Recebo um beijo na nuca e seu braço me envolve a cintura de um jeito forte e delicado. "Chega moça, já sei que você é prendada. Vamos pra cama"
Não tenho nem espaço pra murmurar seu nome e implorar que me deixe terminar e ir embora. Sua boca me envolve e me suga as palavras que não disse e a minha agenda de compromissos pra hoje a tarde. No seu colo vamos caminhando até o quarto, enquanto o avental de florzinha vai ficando pra trás.
Sua mão ainda cheira a detergente e seus dedos já estão murchos. Eu já estou completamente atrasada. Não faz a menor diferença. Para terminar assim, cozinho todos os dias, toda hora, até você enjoar do meu tempero, de mim.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Mexa as peças
Mova os peões. Jogue as cartas. Tic tac, o jogo já começou
Se eu começar a brincar com fogo, quero sair queimada, ardendo, reduzida a cinzas, a pó, a nada, e mesmo assim ser tudo. Tudo que teus olhos veem, tudo que tuas mãos tocam, tudo que teu corpo sente.
Lamento (por ti, e não por mim) se eu não sei jogar com meias palavras, meias intenções, meias vontades. Sou sincera e transparente, e por ser assim sou feroz, veloz, ávida.
Se eu te toco, te quero. Se eu te olho, te espero. Não sei provocar e cair fora. Se eu te provoco, é minha carta branca, use-a!
Adoro um jogo de gato e rato, mas admito que não tenho muita paciência para esperar. Prefiro um tudo-ou-nada, onde, eu sempre prefiro 'tudo'.
Acho uma covardia e uma maldade esse seu jeito de provocar e cair fora, de tocar e sair, essa coisa instável quando eu já estou com o rosto queimando e o corpo desperto.
Tome decisões, eu já tomei a minha. Mas decida logo, ou a corda do ioiô que construiu pra nós arrebenta de vez.
Se eu começar a brincar com fogo, quero sair queimada, ardendo, reduzida a cinzas, a pó, a nada, e mesmo assim ser tudo. Tudo que teus olhos veem, tudo que tuas mãos tocam, tudo que teu corpo sente.
Lamento (por ti, e não por mim) se eu não sei jogar com meias palavras, meias intenções, meias vontades. Sou sincera e transparente, e por ser assim sou feroz, veloz, ávida.
Se eu te toco, te quero. Se eu te olho, te espero. Não sei provocar e cair fora. Se eu te provoco, é minha carta branca, use-a!
Adoro um jogo de gato e rato, mas admito que não tenho muita paciência para esperar. Prefiro um tudo-ou-nada, onde, eu sempre prefiro 'tudo'.
Acho uma covardia e uma maldade esse seu jeito de provocar e cair fora, de tocar e sair, essa coisa instável quando eu já estou com o rosto queimando e o corpo desperto.
Tome decisões, eu já tomei a minha. Mas decida logo, ou a corda do ioiô que construiu pra nós arrebenta de vez.
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